Cata Log Cata Strofe

Um transeunte: — O que é isto? O livro: — Sou um romance putativo, um catálogo de ideias e uma ideia de catálogo, um programa de rádio, uma tragédia, uma fábula obsoletista, um livro de ficção científica, um ensaio literário sobre bricolage, um modo de emprego sem destino, um protocolo necessário, uma logorreia, a última actualização do mito, um engodo, um novo método para encher chouriços, um oráculo, um fracasso económico, um objecto biodesagradável, um livro de imagens com textos que as acompanham e de textos com imagens que os ilustram, o caos, uma tentativa de deformar bolsos, uma maneira de dar títulos aos títulos, o caos (bis), a verdade, toda a verdade, um paralelepípedo, 432 páginas em papel de 90g com um pouco de tinta…
 “JINGLE DO PROGRAMA: Ah ah, e acrescentou, por agora, nada mais. ZZZZZZ… Estás em directo com Poulp-Ubique, o programa omnipresente nos teus ouvidos ZZZZZZ… quando o ouves… ouves-me! Ouve-me até à tua total obliteração no todo. CORO: Ó, presente omnipresente! ARTHUR DESSINE: O tempo, dizia eu. Quando? E aqui escancaro três portas entreabertas. O presente, o futuro e o passado. Poulp-Ubique é um programa no Presente, no omnipresente! O Presente com um P maiúsculo. O Presente que é a única utopia na qual vale a pena pensar, e, como dano colateral, viver! Dos três tempos, o Presente é o mais paradoxal, porque responde sempre «Presente!», tal e qual um prisioneiro ou um aluno zeloso o faria. Está, no entanto, sempre ausente: «O que eu sou não sei, o que eu sei não o sou», disse Angelus Silesius. CORO: Ó, futuro capital! ARTHUR DESSINE: Poulp-Ubique é um programa no Futuro! Logicamente, trataremos o Futuro como deve ser, com um F capital! E isto graças ao poder e à técnica dos augures que alguns convidados dominam na perfeição (capacidade que assenta na leitura dos presságios que virão antes de nós). Contudo, não faremos apostas tolas sobre o futuro. Que os profetas da desgraça sejam todos amaldiçoados. CORO: Ó, massa informe! Ah, textura gelatinosa! Ó, pudim! ARTHUR DESSINE: Quanto ao Passado, é, por assim dizer, o tempo mais presente dos três, porque, e ao contrário do que parece indicar, está aqui e agora gravado para sempre no espaço-tempo. Para o visualizar, imaginem um aglomerado de engramas; uma massa informe que tem a textura gelatinosa de um pudim esbranquiçado, no qual flutuam pedaços mais rijos e condensados. O Passado será uma muleta com a qual poderemos contar em caso de dúvida. VOZ-OFF: Uf!” [Mattia Denisse, «Rádio Ubique»]

Textos: Mattia Denisse, Arthur Dessine, Bruno Marchand, Rui Almeida Paiva
Desenhos: Mattia Denisse
Design: Sofia Gonçalves
Revisão: Dois Dias e Les Catacombistes 
Edição: Dois Dias e Culturgest
Capa mole, offset, 180x110mm, 432 pp.

A passerby: — What is this? The book: — I am a putative novel, a catalog of ideas and an idea of a catalog, a radio program, a tragedy, an obsoletist fable, a science fiction book, a literary essay on bricolage, a mode of employment without destination, a necessary protocol, a logorrhea, the latest update of the myth, a decoy, a new method for stuffing chorizos, an oracle, an economic failure, a bio-unpleasant object, a book of images with accompanying texts and texts with illustrative images, chaos, an attempt to deform pockets, a way of giving titles to titles, chaos (bis), the truth, the whole truth, a cobblestone, 432 pages on 90g paper with a little ink…
“PROGRAM JINGLE: Ah ah, and he added, for now, nothing more. ZZZZZZ… You are live with Poulp-Ubique, the omnipresent program in your ears ZZZZZZ… when you listen to it… you hear me! Listen to me until your total obliteration in the whole. CHORUS: O, omnipresent present! ARTHUR DESSINE: Time, I was saying. When? And here I open three half-open doors. The present, the future, and the past. Poulp-Ubique is a program in the Present, in the omnipresent! The Present with a capital P. The Present that is the only utopia worth thinking about, and, as collateral damage, living! Of the three tenses, the Present is the most paradoxical, because it always responds “Present!”, just as a prisoner or a zealous student would. It is, however, always absent: “What I am, I do not know; what I know, I am not,” said Angelus Silesius. CHORUS: O, capital future! ARTHUR DESSINE: Poulp-Ubique is a program in the Future! Logically, we will treat the Future as it should be, with a capital F! And this thanks to the power and technique of the augurs that some guests have mastered to perfection (a skill based on reading the omens that will come before us). However, we will not make foolish bets about the future. May the prophets of doom all be cursed. CHORUS: O, shapeless mass! Ah, gelatinous texture! Oh, pudding! ARTHUR DESSINE: As for the Past, it is, so to speak, the most present of the three, because, contrary to what it seems to indicate, it is here and now, forever engraved in space-time. To visualize it, imagine a cluster of engrams; a shapeless mass with the gelatinous texture of a whitish pudding, in which harder, more condensed pieces float. The Past will be a crutch we can rely on when in doubt. VOICE-OVER: Phew! [Mattia Denisse, “Rádio Ubique”]

Texts: Mattia Denisse, Arthur Dessine, Bruno Marchand, Rui Almeida Paiva
Drawings: Mattia Denisse
Design: Sofia Gonçalves
Revision: Dois Dias and Les Catacombistes
Edition: Dois Dias and Culturgest
Soft cover, offset, 180x110mm, 432 pp.