
Cobra Que Fuma Não Ladra
Héctor Arnau
Aquela voz que desejas, sinuosa. Aquele espelho em que te vês, partido, espalhado pelo chão. Aquela verdade que escolhes, aqui pintada com filigrana de ouro, subjugando-te. Então sim, grita o teu desejo, partindo-te por dentro, cachimbo demasiado usado. Então sim, refletido em todas aquelas peles rastejando no calor sísmico, cheirando com a língua. Aproxima-te, aqui no fundo das costas, fogo negro da caverna, mão que sabe e que desce; acaricia, acaricia as minhas escamas, para saborear apenas, para nos curar, para engolir o avesso do mundo.
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